Sprint? Master?

Não sei se sou só eu, mas o Scrum tem dois nomes que não descem bem:

Sprint

Sprint é um termo do inglês para corridas curtas. É comum na São Silvestre, quando os corredores dão aquele gás final para garantir a vitória. Mas o problema é que, no Scrum, toda e qualquer iteração é chamada de Sprint.

Tenho certeza que muita gente que confunde e tem um modelo mental de uma correria a cada entrega combinada. Se fosse a iteração final, tudo bem. Mas como manter o ritmo sustentável com uma correria danada a cada 2-4 semanas?

No XP, iteração é iteração. Simples, direto ao ponto. Sem confusão.

Scrum Master

Master tem duas conotações: uma é do sábio iluminado, que domina um assunto completamente; a outra é do dono de escravos, do carrasco que manda e desmanda em todos.

No Scrum, o Scrum Master é o termo para o cara que trabalha como ponte entre o cliente e a equipe, fazendo que todos fiquem satisfeitos e que a equipe faça o que tem que fazer (e de maneira bem feita) . Ele não precisa necessariamente saber tudo sobre desenvolvimento de software mas, em geral, é um cara com certa experiência. Precisa de ser um cara que entende os problemas de se desenvolver software, sabe como Scrum os resolve e consegue organizar uma equipe para usar Scrum de maneira efetiva. E é o cara que vai segurar as pontas, fazer com que todo mundo continue com as disciplinas quando o projeto apertar. Mas não vai gerenciar custo, prazo ou escopo.

Acho que tem gente que se pergunta: master de quê? Ditador ou sabichão? Acabou que todo mundo quer ter esse nome pomposo, quer ser Master. E os gerentes de projeto que querem ser ágeis, procuraram certificações. Assim,  seriam autoridades no assunto. Afinal de contas, eles são mestres certificados em Scrum!

XP tem o coach, que é um papel informal, muda o tempo todo e que às vezes nem existe.

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Esse texto não é uma crítica ao Scrum em si, mas ao possível efeito no entendimento do Scrum causados pelos termos Sprint e Master.

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Uncle Bob fala sobre os perigos da certificação Scrum Master no artigo What Killed Waterfall Could Kill Agile.

Bafo, um anti-pattern na adoção de Ágil

Times ágeis tendem a preferir canais de comunicação low-tech e high-bandwidth e tem interações cara-a-cara a todo o momento.

Isso faz com que surja um problema inusitado: bafo.

Para resolver isso, Ron Jeffries desenvolveu uma técnica:

“Tenha, use e compartilhe balas de menta no seu ambiente de trabalho.”

Daqui.

O caminho do guerreiro Ágil

  • Faça as perguntas difíceis.
  • Encare a verdade.
  • Diga o que precisa ser dito.
  • Não tolere desperdício.
  • Afie suas espadas continuamente.
  • Nunca enxergue problemas – apenas desafios.
  • Saiba que você não pode ser definido por apenas um título ou papel.
  • Entenda que o ato de entregar software muda os requisitos.
  • Saiba quando deixar pra lá. E quando não.
  • Tenha respeito pelas idéias e opiniões dos outros.
  • Não leve o conteúdo dessa lista a sério.

Tradução livre do Way of the warrior, de Jonathan Rasmusson.

O chororô do Schwaber

No sábado, estava conversando sobre o chororô do Ken Schwaber sobre estarem desvirtuando o Scrum. Lembrei de Ken descendo a lenha no Kanban depois da galera da Scrum Alliance (incluindo muitos brasileiros) discutir sobre se a comunidade Scrum deveria apoiar o Kanban:

Kanban is a good alternative when Scrum demands too much of you. It allows managers to continue assigning work to resources (not people), treating people as interchangeable cogs in functional silos, using command-and-control management, and inhibiting people from working closely in self-organizing teams.

If you are having trouble getting the agile benefits from Scrum of value driven development, high productivity, and great quality, this is a good fall-back position. It doesn’t challenge management or …

Como disse Rodrigo Yoshima no Twitter:

O vendedor de pastel nunca vai falar que o milho é melhor. Até mesmo se o cliente tiver colesterol alto.