Menos Cerimônia e Mais Essência com Java 8

Recentemente, foi lançada a versão 8 do Java, com mudanças significativas na linguagem.

Mas qual é a razão pra tanta algazarra na Internet?

Com Java 8, é possível escrever código com menos cerimônia e mais essência.

Filtrando com Classes Anônimas no Java 7 ou anterior

No post anterior, vimos como melhorar nosso código utilizando o molde Strategy e classes anônimas.

Abstraímos, em uma classe chamada FiltroDeDesenhos, as operações de percorrer a lista, chamar a comparação e acumular os elementos uma nova lista. Já o contrato da lógica de comparação foi definido em uma interface chamada ComparacaoDeDesenhos.

O código resultante, que utiliza a modelagem acima para filtrar uma lista de desenhos, ficou assim:

FiltroDeDesenhos filtro = new FiltroDeDesenhos();

List<Desenho> antesDe1960 = filtro.filtra(desenhos, 
	new ComparacaoDeDesenhos() {
		public boolean valePara(Desenho desenho) {
			return desenho.getDecadaDeCriacao() < 1960;
		}
});
List<Desenho> comecamComS = filtro.filtra(desenhos, 
	new ComparacaoDeDesenhos() {
		public boolean valePara(Desenho desenho) {
			return desenho.getNome().startsWith("S");
		}
});

Focando no essencial com Lambdas do Java 8

As linhas destacadas no código acima são o realmente essencial: definem a lógica de filtragem. O resto todo faz parte da sintaxe assustadora de classes anônimas do Java.

A partir do Java 8, é possível simplificarmos nosso código com o uso de lambdas:

List<Desenho> antesDe1960 = filtro.filtra(desenhos,
	(Desenho desenho) -> {
		return desenho.getDecadaDeCriacao() < 1960;
	}
);
List<Desenho> comecamComS = filtro.filtra(desenhos,
	(Desenho desenho) -> {
		return desenho.getNome().startsWith("S");
	}
);

Lambdas são métodos anônimos que podem ser usados no lugar de classes anônimas, com uma sintaxe bem mais enxuta. Internamente, são implementadas com um mecanismo diferente das classes anônimas. Estão presentes na maioria das linguagens e são uma ótima nova adição à linguagem Java.

Só foi possível utilizar lambdas no lugar de classes anônimas no nosso caso porque nossa interface ComparacaoDeDesenhos é uma interface funcional: possui apenas um método abstrato.

Veja:

interface ComparacaoDeDesenhos {
	boolean valePara(Desenho desenho);
}

É possível marcar nossa interface com a anotação @FunctionalInterface, porém não é algo obrigatório. Essa anotação é usada pelo compilador para lançar um erro assim que um segundo método abstrato for declarado.

Podemos ainda omitir as chaves que definem o bloco e o return, já que o nosso lambda possui apenas uma expressão. Podemos também omitir a classe do parâmetro, por causa do mecanismo de inferência de tipos do Java 8, além dos parênteses:

List antesDe1960 = filtro.filtra(desenhos,
	desenho -> desenho.getDecadaDeCriacao() < 1960
);
List comecamComS = filtro.filtra(desenhos,
	desenho -> desenho.getNome().startsWith("S")
);

Evitando código desnecessário com Streams do Java 8

Podemos ir além e remover a nossa classe FiltroDeDesenhos e a interface ComparacaoDeDesenhos, utilizando um Stream, um novo recurso do Java 8:

Stream<Desenho> streamDeDesenhos = desenhos.stream();

Stream<Desenho> streamDosAntesDe1960 = 
    streamDeDesenhos
        .filter(desenho -> desenho.getDecadaDeCriacao() < 1960);

Stream<Desenho> streamDosQueComecamComS = 
    streamDeDesenhos
        .filter(desenho -> desenho.getNome().startsWith("S"));

Criamos um Stream a partir da nossa lista de desenhos invocando o método stream.

Um Stream é uma sequência de elementos que permitem a execução de várias operações. Uma delas é o filter, que recebe um lambda que tem a comparação e retorna um outro Stream que contém apenas os elementos em que a condição da comparação é válida.

O lambda (ou classe anônima) recebido pelo filter deve respeitar o contrato definido pela interface funcional Predicate. Essa interface recebe um objeto e retorna um booleano, de maneira parecida com a nossa interface ComparacaoDeDesenhos, mas mais genérica.

Mas o que podemos fazer com o Stream dos elementos filtrados? Podemos transformá-lo numa lista com .collect(Collectors.toList()) ou imprimir os elementos com:

streamDosAntesDe1960
	.forEach(System.out::println);
streamDosQueComecamComS
	.forEach(System.out::println);

Invocamos o método forEach passando um referência ao método println de System.out. Isso é equivalente ao lambda desenho -> System.out.println(desenho).

Juntando tudo

Pegando o código acima, explicitando a criação da lista e omitindo os streams intermediários, temos:

class ProgramaComStreams {
    public static void main(String[] args) {
        Desenho popeye = new Desenho("Popeye", 1920);
        Desenho picaPau = new Desenho("Pica-pau", 1940);
        Desenho flintstones = new Desenho("Flintstones", 1960);
        Desenho scoobyDoo = new Desenho("Scooby-Doo", 1970);
        Desenho simpsons = new Desenho("Simpsons", 1990);

        List<Desenho> desenhos = Arrays.asList(popeye, picaPau, 
                                        flintstones, scoobyDoo, simpsons);

        desenhos.stream()
	    .filter( desenho -> desenho.getDecadaDeCriacao() < 1960 )
            .forEach(System.out::println);
		
        System.out.println("---------------");
		
        desenhos.stream()
            .filter( desenho -> desenho.getNome().startsWith("S") )
            .forEach(System.out::println);
	}
}

Após executarmos o código acima, teríamos a seguinte saída:

Popeye (1920)
Pica-pau (1940)
---------------
Scooby-Doo (1970)
Simpsons (1990)

Comparando as implementações

Focando na filtragem dos desenhos anteriores a 1960, vamos comparar as implementações.

Primeiro, vamos lembrar da primeira versão, sem Strategy nem classes anônimas:

List<Desenho> antesDe1960 = new ArrayList<>();
for (Desenho desenho : desenhos) {
	if(desenho.getDecadaDeCriacao() < 1960){
		antesDe1960.add(desenho);
	}
}
for (Desenho desenho : antesDe1960) {
	System.out.println(desenho);
}

Agora, o código que cria uma implementação anônima da interface ComparacaoDeDesenhos:

List<Desenho> antesDe1960 = filtro.filtra(desenhos, 
	new ComparacaoDeDesenhos() {
		public boolean valePara(Desenho desenho) {
			return desenho.getDecadaDeCriacao() < 1960;
		}
});
for (Desenho desenho : antesDe1960) {
	System.out.println(desenho);
}

Então, usando lambas, temos uma sintaxe mais sucinta para definir a lógica de comparação:

List antesDe1960 = filtro.filtra(desenhos,
	desenho -> desenho.getDecadaDeCriacao() < 1960
);
for (Desenho desenho : antesDe1960) {
	System.out.println(desenho);
}

Finalmente, usando streams, deixamos de lado classes desnecessárias, além de imprimir os desenhos de maneira concisa:

desenhos.stream()
	.filter( desenho -> desenho.getDecadaDeCriacao() < 1960 )
	.forEach(System.out::println);

Compare os códigos e observe que, com lambdas e streams, a cerimônia do Java foi radicalmente diminuída. Podemos focar na essência da nossa tarefa: a lógica de filtragem.

Puxa… Achei confuso. E agora?

Realmente, utilizar lambdas, streams e as outras mudanças do Java 8 não é algo fácil. É preciso um bocado de estudo e de prática para entender e saber quando usar esses novos recursos.

Aqui, os conceitos foram vistos de maneira bem superficial. É importante estudá-los de maneira aprofundada. Há ainda muito mais coisas interessantes no Java 8: métodos default e estáticos em interfaces, optionals, streams paralelos, a nova API de datas, etc.

O livro Java 8 Prático, da Casa do Código é uma ótima referência. As novidades do Java 8 são estudadas com detalhes. Tive o prazer de participar da revisão técnica e recomendo! Os autores do livro também escreveram um post em que passeiam pelas funcionalidades mais importantes dessa nova versão do Java.

Não deixe de baixar a JDK 8.

O código desse post pode ser encontrado em: https://gist.github.com/alexandreaquiles/9649033

Evitando duplicação com Strategy e Classes Anônimas

Suponha que temos a seguinte classe Desenho:

class Desenho {

	private final String nome;
	private final int decadaDeCriacao;

	public Desenho(String nome, int decadaDeCriacao) {
		this.nome = nome;
		this.decadaDeCriacao = decadaDeCriacao;
	}

	public String getNome() {
		return nome;
	}

	public int getDecadaDeCriacao() {
		return decadaDeCriacao;
	}
	
	public String toString() {
		return nome + " (" + decadaDeCriacao + ")";
	}
}

Com a classe Desenho em mãos, vamos criar uma classe principal e alguns desenhos, colocando-os em uma lista:

class Programa {
	public static void main(String[] args) {
		Desenho popeye = new Desenho("Popeye", 1920);
		Desenho picaPau = new Desenho("Pica-pau", 1940);
		Desenho flintstones = new Desenho("Flintstones", 1960);
		Desenho scoobyDoo = new Desenho("Scooby-Doo", 1970);
		Desenho simpsons = new Desenho("Simpsons", 1990);
                
		List<Desenho> desenhos = 
                Arrays.asList(popeye, picaPau, 
                            flintstones, scoobyDoo, simpsons);
	}
}

Essa lista de desenhos poderia, ao invés de ser criada na mão, vir de um banco de dados através de uma DAO.

Dentro da main, vamos filtrar todos os desenhos que foram criados antes de 1960 e imprimi-los:

List<Desenho> antesDe1960 = new ArrayList<>();
for (Desenho desenho : desenhos) {
	if(desenho.getDecadaDeCriacao() < 1960){
		antesDe1960.add(desenho);
	}
}
for (Desenho desenho : antesDe1960) {
	System.out.println(desenho);
}

Deverá ser impresso:

Popeye (1920)
Pica-pau (1940)

E se quisermos filtrar todos os desenhos que começam com a letra “S”? Faríamos algo como:

List<Desenho> comecamComS = new ArrayList<>();
for (Desenho desenho : desenhos) {
	if(desenho.getNome().startsWith("S")){
		comecamComS.add(desenho);
	}
}
for (Desenho desenho : comecamComS) {
	System.out.println(desenho);
}

Teríamos a seguinte saída:

Scooby-Doo (1970)
Simpsons (1990)

Observem acima as linhas destacadas no código dos dois filtros. São as únicas linhas essenciais, com código que tem a ver com o que realmente queremos fazer: filtrar os desenhos.

O resto é código repetitivo, apenas dá suporte ao que queremos fazer. E esse código de suporte tem exatamente a mesma estrutura nos dois exemplos. Código duplicado, a raiz de todo o mal!

Evitando duplicação com Strategy e Classes Anônimas

Podemos evitar esse tipo de duplicação extraindo o código repetitivo para uma classe que filtra os desenhos:

class FiltroDeDesenhos {
	public List<Desenho> filtra(List<Desenho> desenhos){
		List<Desenho> filtrados = new ArrayList<>();
		for (Desenho desenho : desenhos) {
			if(???){
				filtrados.add(desenho);
			}
		}
		return filtrados;
	}
}

Mas a comparação vai variar de acordo com o que quisermos filtrar. E agora?

Podemos utilizar um molde chamado Strategy, de maneira a isolarmos as diferentes comparações cada uma em uma classe própria, respeitando um contrato comum.

Generalizando: Strategy é a ideia de encapsular uma família de algoritmos intercambiáveis em objetos com um contrato comum.

Para definir um contrato em Java, utilizamos uma interface:

interface ComparacaoDeDesenhos {
	boolean valePara(Desenho desenho);
}

Devemos colocar a interface ComparacaoDeDesenhos como parâmetro do método filtra de FiltroDeDesenhos, usando-a para encapsular a lógica de filtragem dos desenhos de maneira polimórfica:

class FiltroDeDesenhos {
	public List<Desenho> filtra(List<Desenho> desenhos, 
				ComparacaoDeDesenhos comparacao){
		List<Desenho> filtrados = new ArrayList<>();
		for (Desenho desenho : desenhos) {
			if(comparacao.valePara(desenho)){
				filtrados.add(desenho);
			}
		}
		return filtrados;
	}
}

Para utilizarmos a nossa nova classe FiltroDeDesenhos para filtrar os desenhos criados antes de 1960, precisaríamos criar uma classe que atenda ao contrato definido pela interface ComparacaoDeDesenhos:

class ComparacaoDeDesenhosAntesDe1960 
				implements ComparacaoDeDesenhos {
	public boolean valePara(Desenho desenho) {
		return desenho.getDecadaDeCriacao() < 1960;
	}
} 

Então, poderíamos cria uma instância da nossa nova classe ComparacaoDeDesenhosAntesDe1960, e passá-la para o nosso FiltroDeDesenhos, depois imprimindo os desenhos filtrados:

FiltroDeDesenhos filtro = new FiltroDeDesenhos();

ComparacaoDeDesenhos comparacaoDeDesenhosAntesDe1960 = 
					new ComparacaoDeDesenhosAntesDe1960();

List<Desenho> antesDe1960 = filtro.filtra(desenhos, 
					comparacaoDeDesenhosAntesDe1960);
for (Desenho desenho : antesDe1960) {
       	System.out.println(desenho);
}

A saída seria a mesma de antes:

Popeye (1920)
Pica-pau (1940)

Para filtrar os desenhos que começam com “S”, teríamos que criar a classe ComparacaoDeDesenhosQueComecamComS.

Mas será que, pra todo o tipo de comparação, temos que criar uma classe diferente? Se fosse assim, o número de classes ia ser imenso.

Ao invés de criar a classe ComparacaoDeDesenhosAntesDe1960, poderíamos criar uma instância de uma classe sem nome, que atende à interface ComparacaoDeDesenhos, tudo de uma vez:

FiltroDeDesenhos filtro = new FiltroDeDesenhos();

List<Desenho> antesDe1960 = filtro.filtra(desenhos, 
	new ComparacaoDeDesenhos() {
		public boolean valePara(Desenho desenho) {
			return desenho.getDecadaDeCriacao() < 1960;
		}
});
for (Desenho desenho : antesDe1960) {
       	System.out.println(desenho);
}

Continuaríamos com a mesma saída:

Popeye (1920)
Pica-pau (1940)

Observe demos um new na interface ComparacaoDeDesenhos, seguido de uma implementação do método valePara, sem fornecer um nome para a classe.

Ao criarmos uma implementação de uma interface que não tem nome, estamos criando uma classe anônima.

O trio “});” é bem familiar para quem usa Javascript, já que aparece nas funções de callback usadas por muitas bibliotecas.

Para filtrar todos os desenhos que começam com “S”, faríamos:

List<Desenho> comecamComS = filtro.filtra(desenhos, 
	new ComparacaoDeDesenhos() {
		public boolean valePara(Desenho desenho) {
			return desenho.getNome().startsWith("S");
		}
});
for (Desenho desenho : comecamComS) {
	System.out.println(desenho);
}

Teríamos exatamente a mesma saída de antes:

Scooby-Doo (1970)
Simpsons (1990)

Comparando as implementações

Se deixarmos a impressão dos desenhos filtrados de fora, teríamos o seguinte código antes do uso de Strategy com classes anônimas:

List<Desenho> antesDe1960 = new ArrayList<>();
for (Desenho desenho : desenhos) {
       	if(desenho.getDecadaDeCriacao() < 1960){
       		antesDe1960.add(desenho);
       	}
}
List<Desenho> comecamComS = new ArrayList<>();
for (Desenho desenho : desenhos) {
       	if(desenho.getNome().startsWith("S")){
       		comecamComS.add(desenho);
       	}
}

Já o código com Strategy e classes anônimas, ficou assim:

List<Desenho> antesDe1960 = filtro.filtra(desenhos, 
	new ComparacaoDeDesenhos() {
		public boolean valePara(Desenho desenho) {
			return desenho.getDecadaDeCriacao() < 1960;
		}
});
List<Desenho> comecamComS = filtro.filtra(desenhos, 
	new ComparacaoDeDesenhos() {
		public boolean valePara(Desenho desenho) {
			return desenho.getNome().startsWith("S");
		}
});

O número de linhas ficou o mesmo, mas a modelagem da solução ficou melhor, evitando repetição do laço e do acúmulo dos desenhos filtrados em uma nova lista.

Uso de Strategy e Classes Anônimas em bibliotecas

É muito comum em bibliotecas do mundo Java utilizar o molde Strategy com classes anônimas.

Um exemplo bem comum é a interface Comparator da API de Collections do Java:

Collections.sort(desenhos, new Comparator<Desenho>() {
	public int compare(Desenho desenho1, Desenho desenho2) {
		return desenho1.getNome()
				.compareTo(desenho2.getNome());
	}
});
for (Desenho desenho : desenhos) {
	System.out.println(desenho);
}

O código acima, irá imprimir os desenhos ordenados por nome:

Flintstones (1960)
Pica-pau (1940)
Popeye (1920)
Scooby-Doo (1970)
Simpsons (1990)

Em frameworks como Spring, o uso de Strategy e classes anônimas é bastante comum. É usado, por exemplo, para gerenciar uma transação programaticamente:

transactionTemplate.execute(new TransactionCallback() {
	// código executado em uma transação
	public Object doInTransaction(TransactionStatus status) {
 		atualizarPedidos(compra.getPedidos());
		return atualizarTotalDaCompra(compra);
 	}
});

Concluindo

Através do uso de Strategy e classes anônimas, conseguimos criar uma solução que encapsula a estrutura, permitindo-nos focar na essência do que estamos fazendo e, dessa maneira, evitando duplicação.

Essa solução é bastante usada em bibliotecas e frameworks do mundo Java.

Porém, a sintaxe de classes anônimas em Java é assustadora.

No próximo post, veremos o que o Java 8 tem a oferecer para deixar nosso código mais sucinto.

O código desse post pode ser encontrado em: https://gist.github.com/alexandreaquiles/9644356

Porque armazenar numéricos como String?

Uma dúvida comum para quem está começando é como armazenar coisas como CPF, RG, Telefone ou coisas do gênero. Devemos usar números ou texto?

São valores, à princípio, compostos por números. É natural pensar em armazenar como inteiro: int ou Integer no Java; INTEGER nos bancos de dados que atendem ao padrão ANSI).

Algumas pessoas pensam em valor com pontos flutuantes (float ou double) porque podem representar dígitos nas casas decimais.

Além disso, armazenar um número é muito mais eficiente (em termos de espaço) que armazenar um texto: no MySQL, um INT pode armazenar valores de até 9 dígitos em 4 bytes enquanto um VARCHAR teria que usar até 10 bytes.

Mas será que economizar bytes de armazenamento é tão importante em uma época que você pode levar uns 32 bilhões de bytes no bolso?

Armazenar RG, CPF ou Telefone como texto é vantajoso porque:

  • zeros à esquerda são importantes e números iriam removê-los;
  • valores negativos não fazem sentido (e não existem unsigned ints em Java);
  • não faremos cálculos ou contagens com esses valores;
  • o importante não são os números, mas os caracteres que, por acaso, são numéricos;
  • o RG, por exemplo, pode ter letras. É regra em Minas Gerais;
  • guardar a formatação original com, p. ex., parênteses e traços pode ser interessante.

Ao modelar a sua aplicação, é fundamental comparar as alternativas. Facilidade de manutenção, corretude, rapidez de desenvolvimento (não gosto de usar o termo produtividade) devem ser favorecidas em relação a performance crua.

Moldes de Modelagem

moldes de modelagem

Há algum tempo, o grande Akita blogou sobre o termo “Padrões de Projeto” e como esse termo leva a uma confusão de conceitos.

Essa confusão acontece porque as palavras “Padrão” e “Projeto” tem vários significados na língua portuguesa.

“Padrão” pode significar duas coisas:

“Projeto” também pode significar duas coisas:

Os design patterns do mundo do software, cuja ideia originou-se da arquitetura de prédios, são uma coleção de soluções comuns para problemas recorrentes. Não são normas de planos, nem moldes de planos. Também não são normas de modelagem.

Design patterns são moldes de modelagem.